Avanços na tecnologia dos efeitos especiais

Os efeitos especiais no Cinema ajudam a criar o fantástico, as coisas que simplesmente não existem no Mundo real. Desde os primórdios do cinema, que os realizadores recorrem aos efeitos visuais para criarem todo o tipo de situações e cenários “impossíveis”.

Começando em 1898, no filme “Quatro cabeças são melhores que uma”, o pai dos efeitos especiais, Georges Méliès,  usa pedaços de vidro pintados de preto para tapar as secções da fita onde as cabeças estão posicionadas na mesa . Este vidro preto impedia que estas secções fossem vistas. De seguida, Méliès rodava de novo o filme e desta vez tapava tudo menos as secções anteriormente tapadas. Desta dupla exposição resultava o pretendido, a ilusão, tal como se de magia tratasse:

Outro exemplo do uso desta técnica é “The Great Train Robbery”, de Edwin S. Porter:

Mais tarde, outras técnicas para criar realidades falsas foram exploradas. A “glass shot” é uma técnica de filmagem onde é colocado um vidro (glass) com pinturas, entre a câmara e a acção filmada. Esta técnica, elaborada por Norman Dawn, era frequentemente usada para aumentar os sets, isto é, fazer com que o espaço onde o filme se passava parecesse maior, sem haver gastos de construção. Esta técnica continuou a ser usada pelos anos fora, apesar da evolução das tecnologias, e está ainda hoje presente.

James Cameron a usar a “Glass Shot” no filme “Escape to New York”, em 1981

Em 1925, C. Dodge Dunning inventou o “Dunning Process” ou “blue screen”. Este processo consistia em filmar um fundo em cor azul e o actor/acção a amarelo.

https://i2.wp.com/filmmakeriq.com/wp-content/uploads/2013/07/Dunning-Process.jpg

De certa forma, primeiramente era filmada a acção num espaço sem fundo. Posteriormente era filmado o fundo pretendido, e com o uso das luzes coloridas, eram ambas as fitas de filme “compactadas” por uma impressora óptica. Esta técnica permitia juntar os actores com fundos onde estivessem, por exemplo, monstros numa selva, como é o caso do primeiro filme a usar este processo, King Kong de 1933.

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Para que os actores estivessem coordenados com a acção, o fundo era projectado enquanto actuavam para que as suas reações ao ambiente, fossem mais realistas. Assim reagiriam genuinamente ao que se estava a passar no filme e não teriam de usar a sua imaginação para fingir que estavam em perigo.

O problema com o Dunning Process era que apenas funcionava com filmes a preto e branco. Por isso, em 1940, Larry Butler criou uma nova técnica para filmes a cor no filme “The Thief of Bagdad”.

Butler filmou o sujeito com um fundo a azul. Esta cor foi escolhida porque era a mais diferente da cor da pele humana. Depois, ao selecionar a negativa azul das três negativas da câmara (Vermelha, Verde e Azul), removeu o fundo azul e misturou a fita com outra com um fundo diferente, tal como se de um recorte se tratasse. Isto tudo feito na impressora óptica. Era um processo extremamente complexo e desgastante, pois demorava bastante tempo para alcançar.

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Devido à sua complexidade, durante algum tempo foi procurada outra técnica inovadora para os efeitos especiais… Nos anos 50, Peter Vlahos inventou um processo que seria bastante usado nos anos 60 e 70 pela Disney. “Sodium vapor process”, era um processo onde os actores eram iluminados normalmente, em frente a um ecrã branco, iluminado por luzes de vapor de Sódio (são as mesmas que podemos observar nos lampiões que iluminam as ruas).

Usando um prisma específico para o efeito numa camara Technicolor (a mesma que Larry Butler usou), o comprimento de onda da cor do vapor de Sódio foi separado do resto dos comprimentos da luz, e capturado numa fita especial a preto e branco. O resto das cores foram captadas numa fita de filme normal.

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Em 1964, o filme “Mary Poppins” demonstrou a capacidade deste processo, ganhando o prémio da Academia para Melhores Efeitos Especiais.

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No entanto, apenas um prisma de vapor de Sódio foi criado em todo o Mundo. Sendo este e a respectiva camara pertencentes à Disney, apenas a própria usufruira desta tecnologia.

Apesar do Azul ser a cor predominante da altura, lentamente, o Verde começou a ser mais usado com a vinda da tecnologia digital no fim dos anos 90, tanto nas câmeras, como na pós-produção, era mais fácil o seu manuseamento. Nasceu então o “Green Screen” que hoje conhecemos. As razões para a cor verde eram diversas: O verde requere menos luz para ser iluminado do que o azul, sendo assim mais barato. O verde é mais claro nos aparelhos eléctricos usados na pós-produção. É uma cor que não traz problemas quando se filma ao ar livre pois o azul podia ser igual à cor do céu e gerar dificuldades na manipulação da imagem. Verde é também uma cor menos comum nos guarda-roupas dos actores.

Hoje em dia, o formato digital já substitui quase por inteiro o formato de fita de filme, e por isso, muitos sensores digitais usam o “Bayer Pattern”, que tem o dobro do número de fotões verdes do que vermelhos ou azuis para capturar a luz. Isto faz com que as camaras digitais modernas sejam muito mais sensíveis à parte verde do espectro do que ao resto.

Bayern Pattern

Um exemplo de vários usos diferentes de efeitos especiais podem ser facilmente visualizados no seguinte site: http://www.hindustantimes.com/hollywood/these-insane-before-and-after-vfx-shots-will-blow-your-mind/story-0tvfjYkDV4S20oALfaeKmL.html

Há quem diga que o cinema devia voltar ao que era antes, cinema puro, sem efeitos especiais, mas como pudemos ver, essa “Era” nunca existiu. Sempre na história do cinema os realizadores tentaram melhorar os seus filmes com efeitos especiais. Tudo que interessa é o que está dentro da tela do cinema, nada mais. Porque não usar as ferramentas que nos possibilitam melhorar a experiência que é ver um filme?

Referências:

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